Amamentação

Será que vamos deixar de ser Mamíferos?

O ser humano é um mamífero mas, a sua principal característica de mamífero, amamentar as suas crias, está em retrocesso. A Sociedade atual obriga a um ritmo de vida que para algumas mulheres torna incompatível a amamentação natural com a vida laboral. A Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda que o leite Materno deve ser o alimento exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. Mas, a realidade é que a mama é facilmente substituída por biberões e por leites artificiais.  Nos dias de hoje, lamentavelmente ainda existem muitos profissionais de saúde que desconhecem os benefícios da amamentação e estratégias de apoio para mães com dificuldades em amamentar. A sociedade está cada vez mais cheia de mitos que alimentam a insegurança de muitas mães, que rapidamente optam por complementar a amamentação com leites artificiais. Quem não ouviu já as seguintes expressões: – “o meu leite é fraco”, ou “ Não tenho leite suficiente”?

A sociedade leva-nos para um caminho que nos afasta do natural. Embora, na teoria,  muitas são as mães que já tiveram acesso a informação sobre as vantagens do leite materno. Muitas na prática, desistem no primeiro obstáculo. O Leite Materno para além de alimentar,  protege o bebé contra doenças e fortalece o vinculo afectivo. Três aspectos, com que nenhum biberão poderá competir. No entanto, neste momento o biberão vai ganhando a batalha. É sabido que cerca de 90% das Mulheres, amamenta o bebé quando nasce, mas só cerca de 36%, consegue chegar aos seis meses de vida do bebé, ainda a amamentar. Os casos de amamentação prolongada são ínfimos, e a sociedade, vê esta relação entre mãe e filho, exagerada quando se prolonga para além de um ano. Estamos a perder orgulho em ser mamíferos!

Somos a única espécie sobre a terra que desiste tão rapidamente de amamentar a sua cria.

A introdução de biberões ainda na maternidade, atrapalha desde logo a amamentação. O Mito que a mãe não tem leite que chegue para o bebé nos primeiros dias, e a dificuldade na pega correta do bebé, faz com que muitos profissionais de saúde ofereçam leites artificiais logo nas primeiras horas de vida.

Se isto não acontecesse e o bebé não fosse “entupido” de Leite artificial, este iria mais vezes à mama. Estas idas repetidas, à mama, estimulariam a adaptação do bebé a mama, um instinto animal, que tem de ser desenvolvido com a prática. A sucção realizada no biberão é totalmente diferente da que o bebé tem de aplicar no mamilo. Para que haja saída de leite da mama, têm de haver um esforço maior do bebé na sucção, comparando com a que este tem de fazer no biberão. Este esforço adicional, faz com que o bebé rapidamente, se desinteresse pela mama e fique fã do biberão.

Agora ,“o dedo” não pode ser apontado apenas às mães que desistem! Muitas fazem-no, pensando que estão a fazer o melhor para o seu bebé. Se a enfermeira ou o Pediatra lhe dizem que o leite não é suficiente ou que é fraco, é natural que a mãe, porque quer o melhor para o seu bebé, acabe por introduzir leite artificial na alimentação do bebé.

Não existe leite materno que não alimente! Dou-vos o exemplo de algumas mães de países subdesenvolvidos que no seu dia-a-dia passam fome. Estas mães com uma alimentação pobre e em reduzida quantidade, conseguem ter leite para alimentar os seus bebés. Então, porque pensamos que as mães com uma alimentação saudável e adequada não conseguem ter leite em quantidade e qualidade suficiente?

Amamentar um bebé em exclusivo, requer pela parte da mãe uma entrega e dedicação a 100%.

Principalmente no inicio! Pois para a amamentação ser um sucesso, a mãe deve ter a mama disponível sempre que o bebé solicitar. É mais uma das informações, que nos dias hoje baralha as mães! A nossa sociedade está preparada para tudo ter um horário. Uma das perguntas mais frequentes que me fazem nas formações sobre amamentação é: – “De quantas em quantas horas deve mamar o meu bebé?”

Ora a resposta mais sensata, é um bebé não tem horários, nem para comer, nem para dormir. Cumprir horários é uma função de adultos, envolvidos numa sociedade, que assim o exige. O bebé, não sabe que existem relógios, nem ainda aprendeu a ver as horas. Inicialmente o mais adequado e saudável para ele, é oferecer a mama, sempre que ele a solicita. Nos primeiros dias o estômago do bebé tem a capacidade para cerca de 5ml de Leite, é natural que encha e esvazie rapidamente. O bebé quando solícita várias vezes Leite Materno, não é sinónimo que a mãe não tem quantidade suficiente, mas sim devido à capacidade do estômago e à facilidade na digestão do leite materno. Inevitavelmente, este ritmo tão exigente, vai interferir com a vida social da mãe, que por vezes,acaba por não conseguir conciliar ambas as coisas.

Em muitas Tribos africanas, o bebé, anda sempre junto da mãe, atado com tecidos junto ao peito, isto permite-lhe que vá mamando sempre que necessite. Atualmente, não estamos preparados, para esta prática. Mas podemos continuar a permitir, que o leite materno esteja disponível e seja uma opção exclusiva durante os meses de licença de Maternidade.

Comodidade, desconhecimento e uma sociedade cheia de obstáculos, faz com que o leite materno esteja a entrar num círculo vicioso, em que, cada vez menos mães dão mama e consequentemente, perde-se um ato essencial para a vida que se aprende por imitação (somos descendentes de primatas, cuja principal forma de aprendizagem é copiar os progenitores). As filhas de mães que não deram mama, dificilmente saberão fazê-lo. A transmissão destes valores vai-se perdendo e já se vai ouvindo frases de avós que reforçam a jovem mãe a desistir em dar de mamar: – “eu não dei de mamar e tu aqui estás saudável, o bebé têm é fome! 

Será que vamos deixar de ser Mamíferos?

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