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Plagiocefalia – sabe o que é?

Desde 1992 que o número de Plagiocefalias cranianas têm vindo a aumentar de forma significativa e abrupta. Este aumento coincide com a campanha da American Academy Of Pediatrics – “Back to Sleep”.

Esta campanha recomenda que os bebés durmam de barriga para cima (decúbito dorsal) e visa a prevenção da morte súbita do lactente (nos EUA a implementação desta medida houve uma redução de 40% dos casos).

Esta recomendação é também publicada no mesmo ano, em Portugal, pela Direcção Geral de Saúde e consta do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil.

Mas se esta medida preventiva veio reduzir o número de casos de morte súbita, também veio aumentar uma das deformidades cranianas mais típicas deste posicionamento! E se pensarmos um bocadinho, a questão é que se o bebé dorme de barriga para cima, é transportado na cadeirinha de barriga para cima, mais à frente é deitado numa espreguiçadeira de barriga para cima e grande parte do dia, está nesta posição, que aumenta a pressão naquela zona do crânio e consequentemente a Plagiocefalia!

Para mim é muito importante alertar os pais sobre este problema, pois são muitos os bebé que chegam até mim com este problema, e só depois de eu abordar os pais e lhes perguntar se já tinham reparado, no formato da cabeça, é que eles tomam conhecimento do problema. Para além da plagiocefalia, os torcicolos são também comuns e causam mau estar ao bebé, provocando na maioria dos casos dor e consequentemente o choro, e o desconhecimento dos pais leva-os a pensar que são mais umas cólicas!

Pedi ajuda a Inês Neves, Fisioterapeuta e Osteopata da clínica Osteopraxis, para escrever este artigo pois ela é especialista nesta área, e para onde mando todos os bebés que na minha observação me parecem ter plagiocefalia. Segundo a Inês:

A plagiocefalia posicional ou postural, também descrita como plagiocefalia deformacional ou plagiocefalia não-sinostótica, significa crânio de formato assimétrico – do grego Plagios (oblíqua) + Kephale (cabeça). As formas mais comuns de plagiocefalia posicional são a occipitoparietal (direita ou esquerda) e a occipital simétrica (braquicefalia deformacional). Ao contrário de outras anomalias sinostóticas da forma craniana, a plagiocefalia posicional é desencadeada por forças mecânicas extrínsecas, o que permite distingui-la de craniossinostose (fechamento precoce de uma ou mais suturas cranianas durante a gestação).

As forças mecânicas extrínsecas podem estar presentes in útero, durante o nascimento ou no pós-parto e causam a plagiocefalia devido à plasticidade do crânio no recém-nascido.

A Fisioterapeuta e Osteopata da Osteopraxis explica que:

Entre os principais factores de risco pré e peri natais da plagiocefalia temos: fetos muito grandes, gestações múltiplas, pélvis materna muito pequena, útero pequeno ou mal formado, excesso ou escassez de líquido amniótico, parto distócico, apresentação pélvica do bebé durante o parto e até um aumento do tónus muscular do abdómen, podem ser factores restritivos determinantes. O sexo masculino é um factor de risco comprovado, representando 3/4 dos casos de plagiocefalia com assimetria severa. Esta diferença relaciona-se com o facto de habitualmente o perímetro cefálico à nascença ser maior no sexo masculino, predispondo a maior deformação, e também ao seu crescimento mais rápido nos primeiros 3 meses de vida, existindo uma maior pressão sobre o crânio.

Após o nascimento a escassa mobilidade dos recém-nascidos e as posições de conforto preferenciais que estes adoptam são a grande causa da deformação craniana!  A prematuridade aumenta também a possibilidade do recém-nascido desenvolver plagiocefalia, isto pela inerente hipotonia, pelos períodos mais prolongados de decúbito dorsal, bem como o atraso de desenvolvimento.
Curiosamente a Dra. Inês diz que devido:

A tendência inata da maior percentagem da população ser dextra, acaba por colocar com mais frequência o bebé com apoio do lado direito, na cama, ou quando é alimentado de leite artificial, o que predispõem para plagiocefalia occipito-parietal direita.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico da plagiocefalia posicional é realizado através de um exame objectivo, não sendo na maioria dos casos necessária a realização de exames de imagem complementares.
A característica mais evidente da plagiocefalia posicional é o formato do crânio em paralelogramo, com a observação de topo da cabeça da criança. Outras características da plagiocefalia posicional são: achatamento parieto-occipital (direito, esquerdo ou central), descolamento anterior do pavilhão auricular ipsilateral, proeminência ipsilateral do frontal e malar e alopécia (falta de cabelo) da zona de pressão.

Na presença de uma plagiocefalia posicional é importantíssima a avaliação da mobilidade cervical para despistar a presença de torcicolo, que pode ser causa ou consequência da plagiocefalia posicional. Aquando da existência de um torcicolo, o bebé manifesta alguma dificuldade em rodar a cabeça para um dos lados e habitualmente, em repouso, mantém um padrão de inclinação lateral da cabeça sempre para o mesmo lado.
O desenvolvimento de uma assimetria craniana nos primeiros 3-6 meses de vida do bebé sugere plagiocefalia posicional, enquanto nos casos em que está presente desde o nascimento deve ser ponderado o diagnóstico de craniossinostose.
A observação cuidada do crânio permite fazer o diagnóstico diferencial entre plagiocefalia e craniossinostose.

Agora que já vos dei a conhecer o que é a plagiocefalia e como se faz o diagnóstico, em breve vou, mais uma vez com a ajuda da Dra. Inês, explicar-vos como se trata.

Com colaboração de Inês Neves
Fisioterapeuta/Osteopata Osteopraxis

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