Familia,  Pós-Parto

O Tareco vai ter companhia

Quando se espera a chegada de um bebé a uma casa em que já existe um gato, frequentemente surge uma questão importante: Como reagirá o meu predador de trazer por casa, a este novo ser?

Frequentemente, os medos na gravidez, continuam a manter-se aquando da chegada do bebé: que doenças lhe pode pegar?  E a velha questão se irá arranhar o bebé?

Começo por recomendar a leitura dos artigos referentes aos cães, já que os conceitos básicos de preparação e apresentação são os mesmos: antecipar os problemas e condicionar os animais.

  • Saúde do animal

Mais uma vez, antecipem os problemas com a regularização atempada de check-up, vacinação e desparasitação. Muitas vezes o veterinário já foi consultado sobre a toxoplasmose, portanto já foi iniciada a comunicação entre os donos e o veterinário assistente.

  • Preparação

Antecipe os problemas relacionados especialmente com ruídos. Os gatos são muito sensíveis a ruídos  Habitue-0 aos ruídos novos, introduzidos pela presença da criança, como o choro. Use gravações e veja como o seu felino reage. Ele também pode não ser fã do barulho de alguns brinquedos, vá usando esses sons para que ele se habitue

Comecem a condicionar o gato (a) a não subir para o colo sem convite. Sempre que o fizer, devolvam-no ao chão. Chamem-no para o colo e ofereçam uma recompensa. Assim ele passará a ir para o colo apenas quando convidado.

Se o animal é especialmente chegado à mãe, a mesma deve tentar passar menos tempo com ele e outra pessoa deve assumir um papel mais activo na vida do mesmo, por forma a que o animal não sinta em demasia a diferença após o nascimento

 

  • Modificação do ambiente

Se existir um quarto a manter fechado, em que o gato não pode entrar, comece o mais cedo possível, durante a gravidez. Mantenha zonas confortáveis em locais altos, nas áreas comuns, para o gato se poder instalar  e  observar as actividades novas bebé. Ou mesmo para fugir da criança, quando esta começar a gatinhar ou andar.

Comece por planear e delimitar os locais onde vão ficar o comedouro, bebedouro e caixote das necessidades. A ideia é começar logo por pensar em evitar que o bebé possa chegar-lhes gatinhando ou andando. Cancelas,ou sistemas para impedir que as portas abram mais que o suficiente para o gato passar, poderão ser necessários. Pode ser sensato passar a usar um caixote tapado, apesar de alguns gatos não gostarem.

No quarto do bebé, pensem em instalar uma rede sobre o berço, para evitar que os gatos subam para dormirem com o bebé e para reduzir a quantidade de pêlos nessa zona. Pergunte ao veterinário se dispõe de tratamentos para diminuir a quantidade de pêlo, na muda.

Outra coisa que poderá conversar com o veterinário prende-se com a aquisição de dispositivos de libertação de feromonas, cuja função é a de acalmar naturalmente o gato.

 

  • A chegada do bebé

Tal como para os cães, logo que possível, deve trazer para casa roupa usada pelo bebé, na maternidade, para ambientar o animal aos novos cheiros que aí vêm.

O primeiro contacto deve ser com a mãe, que se deve encontrar totalmente disponível para o gato. Depois, sem forçar, permitam a aproximação ao bebé, deixando cheirar o ovo de transporte e mesmo os pés da criança.

 

  • Os primeiros tempos

Permita que o animal partilhe as actividades com o bebé. Será a melhor forma de o manter integrado na família, reduzindo a ansiedade de todos. As distâncias devem ser mantidas e o contacto supervisionado, sempre! Lembre-se que para o gato, esta época significa um novo vizinho, cheio de cheiros novos, ruídos incomodativos, restrição de espaço e redução da atenção dos donos. Ou seja, muita ansiedade junta…

Inevitavelmente, gatos e crianças aprendem os respectivos espaços e normalmente tornam-se bons amigos. Mesmo quando isso não acontece, a tendência do gato é de simplesmente evitar (fugir mesmo) da criança. Mas ambos têm muito a ganhar do outro, enquanto companheiros de brincadeira. As crianças que lidam com animais são tendencialmente mais sociáveis em adultos.

Mesmo quanto aos pêlos e às alergias, cada vez mais estudos apontam para os efeitos benéficos do contacto precoce com animais para reduzir a probabilidade de alergias várias no futuro. Desde que haja bom senso e respeito pelo animal, tudo acaba por correr bem. Caso isso pareça não acontecer, procure o veterinário assistente para encontrar soluções para o problema.

Texto de Dr. Paulo Alexandre Gomes Pereira
Veterinário

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