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“Mãe, não quero comer!”

Há fases na vida das crianças marcadas pela perda de apetite,
que causam grande ansiedade aos pais. Por isso, nada melhor que instituir bons hábitos alimentares sem que se instale a guerra à mesa.

Os bebés podem recusar a comida por vários motivos: podem estar cansados, distraídos, doentes ou simplesmente satisfeitos. A partir de um ano de idade, o apetite também costuma diminuir, até porque a necessidade em ganhar peso diminui. Se nos primeiros meses de vida os bebé chegam a ganhar um quilo por mês, entre o primeiro e o segundo aniversário o aumento deve rondar entre os dois e os três quilos.

O que costuma fazer quando o seu filho rejeita a comida?

É natural que o obrigue a comer, uma vez que é importante que faça uma alimentação cuidada e saudável, mas será o correcto? Numa conversa, sobre este tema, com o Neonatolgista/Pediatra Fernando Chaves, ele reforçou alguns aspectos que vou partilhar convosco:

 Durante toda a vida, a criança passará por períodos de apetite variável. Entre os 12 e os 24 meses, a criança vai passar por um período marcado pela perda de apetite, a qual é definida por “anorexia fisiológica do segundo ano de vida”. Ou seja, consiste numa fase em que a criança  se torna mais selectivo em relação ao alimentos, o que não tem, na maioria das vezes, repercussão na evolução ponderal. O mesmo acontece com o meio envolvente, pois pode comer bem no infantário, ao contrário do que acontece em casa, onde faz birra à hora das refeições. Este período de tempo em que a criança come mal, é muito variável e não deverá interferir com um adequado desenvolvimento estaturo-ponderal desta. Os alimentos servem para dar às crianças os nutrientes necessários para um adequado desenvolvimento estaturo-ponderal e cognitivo, e não para tornar os meninos gordinhos. Por isso, encher o prato da criança está fora de questão!

Qualidade e não em quantidade!

O importante é que todos os pais saibam que, sempre que o bebé tiver fome, irá pedir comida. Se ele tocar na colher ou afastá-la da boca, provavelmente quer dizer que já comeu o suficiente. Quando novos alimentos entram na dieta, o bebé também pode recusá-los. Esse período de adaptação é comum, pais e cuidadores precisam ter paciência para insistir, apresentando o alimento de diferentes formas.

Como lidar com a recusa?

  • As refeições da criança devem ser em simultâneo com as dos pais. Ver os pais a comer pode ser estimulante para a criança.
  • Respeite os horários das refeições e acostume seu filho a comer nos lugares apropriados para isso.
  • Elogie o bebé quando estiver comendo, mesmo que pouco.
  • Quando a criança recusa, não deve forçar. Por mais frustrante que seja, tente acalmá-lo e, depois de um tempo, ofereça outra vez.
  • Respeite o tempo que a criança leva a comer, seja paciente.
  • Usar snacks (iogurtes, bolachas) como recompensa não é recomendado. Use uma ida ao parque como recompensa, por exemplo.
  •  Se os seus amigos tem filhos que se alimentam bem, tente marcar uma refeição em conjunto, pois pode ajudar, servindo de exemplo.
  • Experimente mudar a forma como apresenta os alimentos.

Também o pediatra Fernando Chaves, considera que estabelecer regras à mesa é o primeiro passo para uma alimentação saudável e equilibrada. Para o efeito, há que partir do princípio que:

As crianças devem comer com qualidade e não em quantidade, além de que é igualmente importante instituir horários para as refeições. Estes horários incluem não estar à mesa mais de 45 minutos e não haver os snacks compensatórios (iogurtes, bolachas, etc.) por não ter comido bem.
Costumo dizer que se deve forçar ligeiramente sem fazer guerra, assim como brincar ligeiramente sem fazer um circo. Em todo o caso, é fundamental reforçar que estas fases são temporárias, pelo que não devem tornar-se momentos de aflição, desde que não haja uma doença subjacente.

Procure alternativas à mesa

Transforme os alimentos menos apetecíveis, em pratos deliciosos, confeccionando-os de forma diferente e acompanhados pelos que a criança mais gosta. Se não tem muitas ideais de como o fazer recorra a livros, sites, blogs, vai ver que é fácil, pois cada vez há mais oferta nesse sentido!

Os vegetais fazem parte, na maioria das vezes, da lista negra das crianças e são insubstituíveis numa refeição. Desde cedo deve habituar a criança a comer sopa, que idealmente deverá fazer parte de todas as refeições, mesmo que sejam apenas três ou quatro colheres de sopa, esta ingestão já será benéfica. Para alem da sopa há outras opções tais como purés (cenoura, batata doce, espinafres) palitos crus de cenoura, entre outros.
Em suma, se o seu filho come pouco, mas a curva do percentil do crescimento e do peso acompanham os valores adequados, significa que o pequeno está bem de saúde, motivo pelo qual não há razão para preocupações.

📷 Instagram @jessisantoscuelo

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