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Como a (In)fertilidade evolui com a idade

Foi no ano passado que a Maria Teresa Oliveira, entrou na minha vida. Vamos tratá-la por Maria, pois o nome Teresa, tira-a do sério!

A Enfermeira Maria tem 35 anos e regressou o ano passado a Portugal, depois de ter estado 10 anos em Londres a trabalhar em PMA. Em 2007, iniciou a carreira em ginecologia e isso levou-a até ao mundo da (In)fertilidade, onde desenvolveu uma enorme paixão e compreensão sobre o casal infértil! Sempre muito intrigada com a falta de consciência à volta da finitude da fertilidade humana, e particularmente, focada na preservação da mesma, decidiu abraçar essa lacuna do mercado e fundou a Myovaplan.

Myovaplan- é uma plataforma dedicada à consciencialização da fertilidade na Mulher e em como preservá-la.

 

Sendo também uma mulher e uma defensora da igualdade de género, a Enfermeira Maria, tem como motivação e ambição contribuir para uma melhor decisão informada, e para o empoderamento das
mulheres no mundo. Atualmente é a CEO da Myovaplan e tem desenvolvido o projeto no Reino
Unido.
Quando regressou a Portugal, esteve a trabalhar comigo por um curto período de tempo, pois embora tivesse vontade de se manter a trabalhar em meio hospitalar, o projecto Myovaplan precisava dela a 100%.

Desafiei a Maria, para me apoiar na escrita de alguns artigos sobre a fertilidade feminina, e este será o primeiro!

Vamos começar pelo princípio e explicar como a fertilidade evolui com a idade!

A idade sempre teve um impacto enorme no sucesso da fertilidade, porque a janela de tempo para
tentar engravidar é restrita. Hoje em dia, as mulheres estão muito focadas na carreira, e a competição a nível laboral diminui ainda mais as probabilidades de engravidar atempadamente.
Consequentemente, a cada ano que passa, mais mulheres procuram tratamentos de fertilidade e, cada vez mais com idades avançadas para uma primeira gravidez. Os Estudos apontam para que em Portugal a idade média da mãe, aquando o primeiro filho ronde os 30 anos, o que significa, um aumento bastante significativo, comparando com a década de 60, em que a média de idade da mãe era de 25 anos.
Esta situação causa um problema para as mulheres, para as suas famílias e para os seus relacionamentos. A própria Organização Mundial de Saúde já reconhece, a Infertilidade como uma das cinco principais doenças da mulher.
Para os homens, a idade afeta a função do espermatozóide, mas existe uma produção continua ao
longo da vida. Infelizmente, o mesmo não acontece com as mulheres. Nascem com a quantidade
que terão para o seu ciclo fértil, ou seja, nascem com o um número de óvulos que durará até a menopausa. Em média as mulheres nascem com cerca de 1 a 2 milhões de óvulos que vão sofrendo atrésia (vão morrendo) da  puberdade até a Menopausa. Assim que a menarca ocorre ( primeira menstruação), as mulheres têm então cerca de 300.000 a 500.000 folículos primordiais (óvulos), prontos para sofrerem maturação a cada ciclo menstrual.
Aquando da menopausa, muitas mulheres possuem apenas 500 a 1000 folículos primordiais. Ou
seja, não só diminui a quantidade de óvulos, mas também a probabilidade destes óvulos serem
fecundados dada a sua qualidade. Em média, para alguém entre 20 a 30 anos, há apenas 25% de
probabilidade de um óvulo ser fertilizado a cada mês. Para uma mulher acima de 35 anos, a
probabilidade cai para 10% ou menos.
A maioria das mulheres, não estão familiarizadas com estas informações. A importância da relação entre idade e fertilidade é crucial e precisa de mais atenção! Quanto mais tarde a gravidez ocorre (com óvulos “velhos), maiores são os riscos associados. Há mais abortos espontâneos, problemas obstétricos e malformações genéticas.

Em breve vamos falar de como deve ir acompanhando a sua fertilidade, e que medidas tomar com o avançar da idade.

 

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