Familia,  Pós-Parto

Adaptação do Casal à chegada do bebé

Chegou o nosso filho! A família aumentou…

A chegada do bebé é sentida de maneira diferente por cada família, consoante os seus padrões culturais ou modelos de orientação. No entanto, em qualquer família existe sempre sentimentos ambivalentes, de amor, medo, ansiedade e segurança, principalmente para os pais. Nos primeiros momentos da vida de qualquer bebé existem necessidades essenciais ao seu bem-estar: a alimentação,  cuidados de higiene e conforto, e afectividade.

Quando o bebé nasce sofre grandes alterações. Passa para um ambiente que oscila entre o quente e o frio, tem frequentemente fome, sente desconfortos ao longo do dia, é sujeito ao toque e ao contacto com outras pessoas… tendo então que se adaptar ao meio que o envolve. Mas ele não é o único a passar por grandes alterações. O Casal também as sofrem e nem sempre conseguem lidar com todas elas. Quando isso acontece, tornar-se necessário um acompanhamento psicológico para que essa situação não tome proporções descontroladas. No entanto é normal que os jovens pais sintam alguma ansiedade com a chegada do bebé. Essa deve ser vista como algo vital pois ajuda o Casal a aceitar a nova responsabilidade que terão ao longo da sua vida. Torna-se necessário, apesar de tudo, ter em atenção quando esta se torna intensa, pois os seus benefícios rapidamente podem ser prejudiciais, levando mesmo a estados depressivos. Quando isso acontece, os pais não conseguem dar resposta a todas as necessidades do bebé e assim em vez de toda a família estar a viver momentos prazerosos com o novo membro, vivem-se momentos de ansiedade intensa e desorientação. Como tal, deve-se pedir apoio e acompanhamento de um profissional especializado.

Relativamente à família é necessário que existam regras bem definidas e que cada um represente o seu papel. Nos primeiros tempos o Casal passa por um grande desgaste físico e psíquico. Isso pode ser ultrapassado através da criação de uma rede de apoio, onde cada elemento desempenha um papel específico, tornando-se benéfica para a saúde física e psicológica de todos os membros envolventes.

  • A verdadeira descoberta do bebé…

O bebé é uma verdadeira descoberta para os  jovens pais pois sensivelmente durante 40 semanas sonham com o bebé que está dentro da barriga da mãe, imaginando como ele será. Quando este finalmente nasce existe uma adaptação do bebé imaginário com o bebé real, que nem sempre corre da melhor maneira. Quando os pais vivem muito na expectativa de como o bebé será, ao nascer pode existir um certo desapontamento por ele não ser exactamente como o imaginado, tornando-se assim um desafio compreender este bebé. Existem sempre comentários como “Ele é a tua cara!” ou “Ele tem o «mau-feitio» do pai” que fazem com que este bebé seja parte da família, e vá deixando de ser o bebé imaginário

É o bebé que nos ensina se estamos a agir da maneira mais correcta ou não quando prestamos algum tipo de cuidado. Idealmente o Casal deve ter frequentado um curso de cuidados ao bebé para se preparar da melhor forma para cuidar do bebé. Os erros acabarão por fazer também, com que o casal reconheça  como  cuidar de um bebé da melhor maneira possível. O bebé mostra-nos quando estamos a ir pelo caminho certo ou errado. Pais calmos, geram bebés calmos. Num curto espaço de tempo os pais aprendem a descodificar as necessidades do bebé e assim dar respostas prontamente.

  • A competição entre o pai e a mãe

Com o nascimento do bebé existe alterações por parte da mãe pois esta sente que só ela é que é capaz de cuidar do bebé da forma mais correcta. Quanto mais os pais gostam do bebé, mais o querem para si. O que acontece muitas vezes é que cada um vê os erros que o outro elemento comete enquanto este ainda tacteia para aprender a desempenhar o novo papel. É importante ter em atenção que é com os erros que a aprendizagem é feita e quando existe por parte de cada elemento uma abertura para identificar e apoiar, os benefícios para a criança tornam-se múltiplos. Os bebés desde o começo sentem e necessitam que os pais estejam de acordo um com o outro. Também aprendem desde muito cedo a esperar coisas diferentes de cada elemento da família. É necessário tentar transmitir ao bebé que estão a emprenhar-se o mais possível e desvanecer a tensão que por vezes pode ser sentida. A competição pode ser um sinal de amor intenso para o bebé e em vez de ser um sinal negativo, deve ser utilizado para distribuir tarefas.

  • A sexualidade depois do parto

Numa situação de pós-parto verifica-se por parte da mãe um desinteresse quanto ao tema da sexualidade. Por outro lado, o pai procura com enorme ansiedade momentos prazerosos com a mãe. Torna-se extremamente importante manter o clima e a intimidade entre o casal para que a relação não seja posta em causa. Assim sendo, o casal deve investir nos beijinhos, massagens, abraços e carinhos para que a relação não morra e que possam existir momentos de prazer. Inicialmente, basta por vezes recriar o “presépio” e  a “adoração ao menino” para que o casal sinta e partilhe a felicidade do momento.

A grande preocupação da mãe é que o bebé necessita de muita atenção durante todo o dia e quando o dia chega ao fim o desejo da mãe é encontrar a sua cama e descansar. Para que não se sinta cansada em demasia é importante dividir tarefas com o pai de modo a que a mãe se sinta mais calma e descansada. Assim as tarefas serão feitas num menor espaço de tempo, podendo posteriormente criar-se um clima mais calmo e romântico para os pais. Mas não é só aos pais que essa divisão de tarefas é benéfica. Também para o bebé traz benefícios pois existe uma aproximação do pai em relação ao filho, estabelecendo um maior vínculo com o bebé e entendendo melhor os sentimentos da mãe.

Mesmo sendo difícil manter o clima romântico é importante não o deixar morrer. O que acontece muitas das vezes é que com a chegada de um segundo filho os pais comecem a ter uma vida sexual muito mais intensa logo após o parto pois já existe uma experiência anterior que ajuda o casal a readaptar-se mais rapidamente. No entanto existem sempre uma fase inicial na qual é importante a atenção do companheiro pois a mulher passa por uma grande alteração corporal com a qual ela própria está a tentar adaptar-se.

 

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