Pós-Parto

A tenda vermelha no pós-parto

Ao longo da gravidez, são muitas as alterações que ocorrem no corpo da mulher, em especial a nível do aparelho reprodutor e a nível hormonal. Após o nascimento essas alterações vão regredindo, até à normalização de todas a funções fisiológicas. A este período, chamamos de Puerpério.

Durante este período a jovem mãe terá novamente de se adaptar às alterações que irá sofrer, quer físicas, quer emocionais. Vai precisar de todo o tempo para si e para o bebé, e um ambiente calmo é fundamental. Se recuarmos muitos anos na história, verificamos que existem relatos, da importância deste período para a jovem mãe, sendo esta resguardada em quarentena, numa tenda, que chamavam de Tenda Vermelha. Mãe e o bebé eram deixados sozinhos após o parto, na tenda sendo apoiados nas tarefas de higiene e alimentação pelas outras mulheres que os visitavam e partilhavam conhecimentos.

Ora hoje em dia, faz-se exactamente o contrário, enviam-se SMS e convidam-se todos os familiares e amigos para conhecerem o novo membro da família. Mas, mãe e bebé não estão preparados para tanta agitação! O misto de cansaço, medo e insegurança nos cuidados ao bebé, pode desencadear aquilo, a que chamamos de “blues pós-parto”. Define-se “blues pós-parto” o conjunto de alterações emocionais, psicologias e hormonais sofridas pela mulher nos momentos seguidos após o parto.
Para que estas alterações emocionais não perturbem em demasia todo este processo, recomenda-se que a mãe faça períodos de descanso ao longo do dia em simultâneo com o bebé e que não se esqueça de fazer uma alimentação equilibrada e fraccionada.

Alterações físicas

Tumefacção e ingurgitamento mamário – Quando existe a passagem do colostro para o leite definitivo, a quantidade de leite aumente de uma forma descontrolada, podendo causar alterações na mama (edema, calor e rubor). O aumento de leite e o congestionamento vascular acabam por dificultar a saída do leite. As medidas aconselhadas são as de prevenção, amamentando o bebé assim que possível e em horário livre. Em caso ingurgitamento, sugere-se manter a amamentação e se mesmo assim a mama ainda se apresentar com excesso de leite deverá realizar-se a extracção do excesso do leite de preferência manualmente e em último caso com o apoio de uma bomba.

Mamilos doloroso ou com fissuras – São consequência, por norma de uma má pega, por isso é essencial corrigir a posição da mãe e do bebé. Recomenda-se um “frente a frente” e o bebé deverá abocanhar bem o mamilo e grande parte da auréola. Após retirar a boca do mamilo, a mãe deverá extrair uma gota de leite e espalha-la envolta de todo o mamilo. Os mamilos deverão ser lavados apenas uma vez por dia, para evitar a maceração, devendo eliminar-se sabões ou produtos secantes

Dores Abdominais – Resultam de contracções do útero, para que este consiga voltar ao tamanho inicial. Estas contracções são irregulares e por norma mais sentidas por mães multíparas (2 filhos ou mais), principalmente quando amamentam.

Sutura abdominal – Em caso de cesariana, embora dependa das características da sutura (pontos, agrafes ou cola), a recente mãe deverá manter o penso limpo e seco. E deverá agendar a remoção dos pontos e dos agrafes com o médico assistente.

Dores Lombares – Devem-se por norma a correcção da nova postura. Aconselha-se evitar posições incorrectas nos cuidados ao bebé (amamentação, mudança da fralda e banho). Assim que a puérpera se sentir capaz, exercícios de alongamento da zona, são também uma ajuda.

Lóquios – Perda sanguínea via vaginal após o parto. O volume e a duração varia de mulher para mulher, podendo durar entre uma a três semanas após o parto. Por norma é mais intenso num parto via vaginal do que numa cesariana. Sendo inicialmente semelhante a uma menstruação em abundante quantidade e sanguíneo, tornando cada vez menos intenso e com cor amarelo esbranquiçada. A puérpera, deverá cuidar da sua higiene com regularidade, mantendo o penso seco e limpo.

Episiorrafia ou perineorrafia – Conjunto de pontos no perineo, para recuperar o corte ou rasgadura necessária para a passagem do bebé. A colocação de gelo, alivia a dor no local. Não devendo aplicar -se directamente e por períodos superiores a 5-10m. Os pontos devem ser desinfectados 1 vez ao dia. Por norma, os pontos caiem sozinhos, por volta dos 10 dias, salvo indicação contrária do obstetra.

Hemorróidas – Surgem ou agravam-se na fase da expulsão. Sugere-se a aplicação de gelo, por períodos inferiores de 05-10m, várias vezes ao dia. Pedir o aconselhamento médico, sobre a aplicação de pomadas e se possível a tentativa de as reintroduzir as hemorróidas no ânus

Obstipação – Com maior incidência nas puérperas de cesariana, pela dificuldade, após a anestesia, o intestino retomar o seu funcionamento. Por vezes surge também após partos via vaginal, quando existe dor na episiorrafia ou hemorróidas, tornando a defecação dolorosa. Aconselha-se uma alimentação rica em fibras e a ingestão de líquidos em abundância.

Incontinência urinária – Pode ocorrer devido a lesões traumáticas, nos primeiros dias após o parto, sendo importante a puépera iniciar exercícios de Kegel, assim que possível. Estes exercícios consistem na contração e descontração do perineo, com o objectivo de restaurar o tónus muscular

 

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